O arquiteto é o reponsável pelo produto final e deve se organizar para garantir esse objetivo.A idéia ,que pode soar redundante para muitos, é ainda um desafio para vários escritórios de arquitetura que se dedicam a grandes projetos e se organizam de maneira distinta das empresas de engenharia consultiva.Num esforço pioneiro de metodologia e organização de trabalhos complexos, os Escritórios Musa enfrentaram essa questão na década de 70. Época em que o volume de projetos e obras chegou a ocupar uma equipe de cerca de cem profissionais no Rio de Janeiro e 30 em São Paulo. Esse ritmo qualificou-os como o escritório brasileiro de arquitetura e urbanismo com o maior volume de trabalho em meados de 1980.
A preocupação com escala e organização Edison Musa conheceu em 1958, quando estagiou por um ano no escritório Candilis-Josic-Woods, em Paris, onde chegou ao posto de chefe de equipe de projeto. Nessa época, o ateliê francês estava no auge de sua produção e prestígio conceitual, recém saído do debate urbanístico promovido pelo Team X , no derradeiro encontro de Ciam.
De volta ao Brasil, ao se estabelecer com escritório próprio em 1963, Edison Musa desenvolveu projetos para a área imobiliária e de interiores. A etapa seguinte de sua trajetória veio com o boom imobiliário e desenvolvimentismo dos anos 70, o chamado "milagre econômico". Em 1970, o irmão Edmundo Musa se associou ao escritório, após estagiar com Freidin Studley & Associates de Nova York. O desenvolvimento de projetos também em São Paulo recomendou a abertura de um escritório paulista , cuja direção ficou a cargo de Jaci Hargreaves.
Nesse período, Musa passou a atender clientes estrangeiros com exigências de maior responsabilidade por parte dos arquitetos, atribuindo-lhes não só o projeto arquitetônico como também o gerenciamento da obra e a arquitetura de interiores, zelando pelos compromissos de preço,prazo e qualidade final.Esse nível de envolvimento e a disseminação de projetos em vários pontos do país determinaram a elaboração de uma metodologia de trabalho à distância, com a abertura de escritórios locais a partir da orientação dos escritórios centrais do Rio de Janeiro ou São Paulo e a montagem de uma infra-estrutura de gerenciamento e acompanhamento de projetos e obras que constituem, junto com o setor de arquitetura, uma equipe de atendimento capaz de enfrentar desafios de qualquer escala de complexidade.
Segundo Edison Musa, o escritório desenvolveu uma postura de trabalho que se sintetiza numa "arquitetura de cinco pontos":
1) flexibilidade (modulação definida coordenandoos vários elementos construtivos, grandes vãos e instalaçõs de fácil acesso);
2) respeito às condições ambientais;
3) sistemas técnicos adequados (ar condicionado, iluminação, acústica);
4) proposta de edifícios de terceira geração (aproveitamento da luz natural, conforto psicológico, controle predial, segurança contra incêndio e defesa do patrimônio);
5) facilidade de manutenção, com especificações técnicas adequadas.
O arquiteto considera que projetos como os de aeroportos poderiam ser desenvolvidos em sua totalidade por escritórios de arquitetura, como efetivamente se dá fora do Brasil. Uma visão de conjunto do processo de produção da arquitetura, em busca de um nível de qualidade projetual e construtiva à altura de padrões internacionais de exigência funcional e arquitetônica, é um objetivo fundamental dos Escritórios Musa.
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